Nossa elite
Já não é fácil quando um grupo de pessoas, que se sentem melhores que as outras, começam a falar asneiras de forma desordenada sem a participação direta e explícita de um líder. É o que tem acontecido em nosso país nos últimos anos.
Mensagens eletrônicas carregadas do mais sujo preconceito, carregadas de falta de respeito e carregadas de falta de ética, são enviadas, diária e massivamente, por aqueles que se sentem como os mais inteligentes, os mais preparados, os mais bonitos. Superiores, enfim.
Durante os últimos anos venho recebendo regularmente uma série de e-mails, de diversas e superiores fontes que leio pacientemente. Ou é porque o cara não tem um dedo, ou porque não estudou, ou porque sua esposa é dona de casa, ou porque é pobre. Por outro lado, como diria uma colunista da Folha, “da série nunca-antes-neste-país”, nunca antes neste país um presidente da República foi tão desrespeitado. Um cara que se elegeu e reelegeu com 61% dos votos é sistematicamente desrespeitado por uma minoria que pensa “que pensa”. É claro que esta turma não tem toda a culpa. São conduzidos por uma imprensa de massa que não tem se mostrado como um primor de ética e verdade. Por isso essa elite privilegiada ainda não entendeu muito bem o que é democracia. Mas, sendo otimista, acredito que lentamente iremos evoluir.
Agora a coisa piorou. O grande guru e líder FHC fez uma brilhante e inteligente declaração na Convenção Nacional do PSDB: “Aqui há acadêmicos, e não temos vergonha disso. [...] Queremos brasileiros bem-educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria.” (Leia mais na Folha).
Sim, Sr. Fernando Henrique Cardoso, não há por que ter vergonha de ser acadêmico, ou de ser lixeiro, ou faxineiro, ou advogado, ou médico, ou torneiro mecânico. O Senhor deveria, sim, sentir vergonha pelo fato de ter sido apoiado e ter apoiado, durante os seus dois mandatos, pelas mesmas forças que durante as últimas cinco décadas destruíram a educação em nosso amado país! Não desprezaram a “própria” educação, mas sempre desprezaram a educação de todos os demais, como vem fazendo, também, a mídia que o apóia.
Muito mais de 95% da população brasileira não teve as oportunidades que os seus acadêmicos tiveram. Nem mesmo a maioria da elite que envia e-mails teve. Muitos e muitos estavam mais preocupados com o que iriam comer naquele dia e menos com o que iriam estudar.
Ser acadêmico não é uma garantia de que a coisa será feita da maneira certa. Isto, não nossos jornais, mas a história é quem dirá.
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A dita “elite” enviadora de e-mail’s só engrossa o coro dos otários (http://www.helil.net/2007/11/20/quem-sao-os-otarios/), quando se sente tão orgulhosa de ser formada em colégios particulares lá pros 70 ou 80 enquanto o ensino público ia às favas.
Por que não te calas, FHC? Creio que nenhum
brasileiro sente vergonha de seus líderes ou
políticos acadêmicos. Agora, se o senhor diz
não querer ser liderado “por gente que des-
preza a educação”, sugiro que reveja as ações
de seus dois mandatos. Principalmente, no que
diz respeito a essa área.